“ Tocar é a primeira comunicação que um bebé recebe e a primeira linguagem do seu desenvolvimento transmite-se através da pele”. Ashley Montaggu
Antes de nascer, o bebé sente-se perfeitamente em casa no interior do corpo da mãe. O ambiente do útero – quente, aquático, de temperatura controlada – aliado ao ritmo confortante do batimento do coração materno, é um meio em que o bebé pode prosperar. Após vinte semanas de gestação, os bebés já são sensíveis ao movimento, à luz e ao som. Têm consciência das festas suaves que recebem, quando o ventre da sua mãe é acariciado ou afagado. Como tem sido observado por numerosos pais à espera de um filho, massajar o ventre da mãe parece ser um gesto inato – e, talvez, inconsciente.
Tem-se demonstrado que acariciar por instinto, bem como falar com o feto enquanto este é massajado, produz um efeito benéfico para os pais e para o seu bebé. Massajar o bebé e falar com ele são maneiras que os pais encontram para exprimirem os laços afectivos que crescentemente os unem ao bebé. Está igualmente documentado que os fetos reagem ao reconhecerem o som das vozes dos pais, movimentando as pernas, os braços e a cabeça. Estas interacções precoces de amor estimulam os sentimentos de proximidade entre os pais e o bebé que ainda não nasceu. O nascimento enche o bebé de novas sensações, obrigando-o a adaptar-se de muitas maneiras. Por instinto, muitos pais começam por tocar suavemente no bebé e por afagá-lo, no momento em que o olham de frente nos olhos pela primeira vez. A estimulação táctil (nurturing touch) é uma das maneiras encontradas pelos pais para facilitar a “transição do útero para o mundo” que o seu bebé enfrenta. A massagem pode ser um maravilhoso prolongamento do impulso natural que leva os pais a transmitirem amor e dedicação. E a estimulação pelo toque é a primeira via de contacto entre os bebés recém-nascidos e as pessoas que cuidam deles, experimentando o seu ambiente.
Nos últimos vinte anos registou-se um enorme crescimento da investigação sobre os benefícios do toque nos bebés, bem como sobre o papel da estimulação táctil como factor de melhoria da segurança da ligação entre os bebés e os seus pais. A investigação inicial sobre a relação existente entre o toque e o desenvolvimento saudável implicou a utilização de animais de laboratório. Numerosos estudos permitiram demonstrar que a estimulação táctil é muito importante para promover o crescimento físico, bem como a adaptação saudável das emoções e do comportamento, em animais de laboratório. Investigações recentemente conduzidas na universidade Duke possibilitaram a identificação da existência de um “gene do crescimento” específico, segregado em resposta à estimulação táctil nos ratos.
Frederick Leboyer (1985) observou, a propósito dos bebés humanos: “para um bebé, ser-se massajado é como alimento – alimento tão necessário como os minerais, as vitaminas e as proteínas.” Estudos realizados em 1966 pela Dra. Tiffany Field, no Touch Research Institute (TRI), em Miami, no estado da Florida (EUA), permitiram comprovar que a massagem promove o crescimento nos bebés prematuros e nos bebés expostos a cocaína durante a fase pré-natal.
A massagem infantil gera benefícios físicos e psicosociais para os bebés. Entre os benefícios físicos, são de referir o alívio dos sintomas de cólicas, das dores de dentição, da prisão de ventre e dos problemas digestivos, do estado de inquietação e da falta de sono. A estimulação táctil ajuda os bebés a aumentarem de peso e a melhorarem o seu desenvolvimento geral. A descontracção resultante da massagem ajuda o bebé a libertar-se do stress.
Muitos pais que massajam os seus bebés afirmam ter passado a perceber muito melhor os sinais e pistas subtis que estes lhes fornecem. Durante o processo de massagem, os pais ouvem os sons do seu bebé e observam o seu corpo e os movimentos que faz, numa tentativa de perceberem como devem continuar a massagem. Embora os bebés não sejam capazes de falar, conseguem comunicar através do corpo. O pai ou a mãe – ou a pessoa que cuida do bebé – fala com ele, pede-lhe licença para massajá-lo, faz-lhe perguntas, promove o diálogo e observa a sua reacção.
A sensibilidade às pistas fornecidas pelo bebé que se desenvolve durante a massagem reforça a comunicação gerada no decurso de outras interacções sociais e ligadas à prestação de cuidados.
Os pais afirmam que sentem mais competência e confiança em si próprios quanto ao desempenho do seu papel como pais devido à massagem infantil. Os pais sentem-se mais capacitados para ajudar o bebé a descontrair-se em momentos de stress. Além disso, a rotina diária de massagem do bebé dá aos pais a oportunidade de se descontraírem e libertarem do seu acelerado ritmo de vida. Isto é especialmente benéfico para o pai ou a mãe que trabalha fora de casa e que tem de separar-se do seu bebé durante o dia.
Para o pai, a massagem é uma oportunidade de intimidade com o seu bebé e um momento especial que passa com ele. Scholz e Samuels (1992) descobriram que um pai que massaje o seu bebé de um mês durante oito semanas revela uma cumplicidade muito maior com o seu filho após um minuto de observação do que o pai que não massaja o seu bebé. Os bebés que são massajados mostram mais capacidades em termos de contacto visual directo, vocalização, sorriso, aproximação e reacção de orientação para o pai do que os bebés que não são massajados.
Os pais separados dos seus bebés pouco depois do parto devido a doença, cesariana ou outras complicações afirmam que a massagem é um meio especialmente benéfico para ajudá-los a ganharem familiaridade com o seu bebé. Para os bebés hospitalizados cuja exposição precoce ao toque ficou associada à dor e ao desconforto devido a procedimentos médicos, a massagem é uma maneira positiva de voltar a experimentar o toque como encontro positivo e afectuoso.
Num estudo recente em que participam pais adolescentes com depressão pós parto, Field (1996) descobriu que os pais que massajam os seus bebés quinze minutos por dia durante duas semanas beneficiam de melhoria do humor, do afecto e da ansiedade, reduzindo a salivação, os níveis de cortisol e do ritmo cardíaco. Além disso, as mães achavam que os seus bebés eram mais fáceis de acalmar, ao mesmo tempo que os bebés mostravam melhor vocalização, apresentando-se menos inquietos e mais afectuosos nas brincadeiras mãe/bebé.
À medida que a investigação sobre os benefícios da estimulação táctil vai evoluindo, torna-se evidente para as pessoas que o praticam que a massagem infantil proporciona numerosos benefícios emocionais, sociais e físicos aos bebés e aos seus pais e pessoas que cuidam deles. Estes benefícios duram para toda a vida.
