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Puxar ou não a pele da pilinha dos meninos?

"Para os pais que têm um rapaz, principalmente para as mães e sobretudo se é o 1º, a pilinha da criança é algo que traz algumas dúvidas. Ao longo dos primeiros anos de vida, são muitas as mães e os pais que aproveitam as consultas com o médico para esclarecer algumas questões".
Puxar a pele ou não não puxar a pele?
A pilinha do rapaz recém-nascido apresenta uma forma de cilindro com uma extremidade arredondada a que os médicos chamam glande. A porção da pele que recobre a glande(e que mais tarde vai poder puxar-se para trás)é o prepúcio. Esta pele tem uma importante função protectora, pois impede que a glande seja irritada pelo chichi ou o cocó das fraldas.
Uma das perguntas mais frequentes logo nas primeiras consultas é "quando se deve começar a puxar a pele para trás?"
Antes de responder, vamos rever um pouco sobre a anatomia e o desenvolvimento deste órgão: antes do nascimento, a glande e o prepúcio estão completamente unidos e é impossível separá-los. Depois de a criança nascer, gradualmente, vai ocorrer a separação entre a pele e a glande. Esta separação ocorre em 90% das crianças até aos 3 anos, mas pode só estar completa na adolescência. Só após se dar a separação entre a pele e a glande é que a pele se consegue puxar, sem esforço e sem magoar a criança. Existe em muitos pais (e sobretudo em avós) a noção de que desde muito cedo os pais devem ir forçando a pele a vir para trás. E que se não for feita essa "ginástica", a criança terá de ser operada. É um dos mitos mais enraizados entre nós. Pelo que já falámos, é de esperar que a pele da pilinha não venha para trás durante os primeiros anos de vida. E isso é perfeitamente normal!
Outras vezes, o traumatismo provocado pelo excesso de zelo de alguns pais leva ao aparecimento de uma hemorragia e à formação de uma cicatriz no prepúcio. A partir daí, a situação pode não conseguir resolver-se sem o recurso à cirurgia. Por outro lado, forçar a pele pode provocar dores na criança, hemorragias ou mesmo infecções. Outro perigo relativamente frequente acontece quando os pais puxam a pele para trás e esta não consegue depois voltar para a posição inicial. Esta situação que os médicos chamam de "parafimose", pode ser muito grave, pois provoca dores e o inchaço da pilinha da criança, que pode sofrer lesões irreparáveis. Neste caso, a criança deve ser imediatamente observada por um médico para que a situação seja rapidamente resolvida.
Em relação à cirurgia, trata-se de um medo infundado. Só em menos de 2% de crianças não se consegue descobrir a glande nos primeiros anos de vida, situação que os médicos chamam de "fimose". Estas crianças podem ser tratadas com a aplicação de cremes com derivados da cortisona que resolvem a situação em mais de 90% dos casos. Nos casos mais resistentes pode ser necessário realizar um pequeno puxão, sob anestesia local. Quer isto dizer que só 7 em cada 10.000 crianças pode vir a precisar de realizar uma cirurgia para resolver a situação.
Voltando à pergunta inicial,"deve ou não a pele da pilinha do bebé ser puxada regularmente para trás para evitar que fique apertada?", aquilo que os pais podem fazer de melhor pela pilinha do seu filho resume-se a uma simples frase: não fazer nada
Por Paulo Oom
Pediatra da Clínica Gerações
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