Morte súbita do recém nascido
Ah, o horror de morrer!
E encontrar o mistério frente a frente
Sem poder evitá-lo, sem poder....."
Fernando Pessoa- In "Primeiro Fausto"
Pelo inesperado, pela falta de evidência clínica, pela emoção que provoca na comunidade, a morte súbita do lactante é factor gerador de ansiedade e preocupação na família e profissionais de saúde. Conhecendo a epidemiologia, a comunidade científica continua a investigar possíveis etiologias. Contudo, passados trinta anos após a 1ª descrição na literatura médica, a sua génese causal continua obscura. Com segurança, não se pode prever ou predizer a morte súbita no lactante. Limitamo-nos a controlar e prevenir os "riscos".
Definição
O Síndrome é conhecido por "morte súbita" em lactantes, de idade compreendida entre 1 mês e o ano de idade. Este síndroma permanece inexplicável, mesmo após anos de investigação exaustiva, incluindo autópsia realizada em centro hospitalar e de uma análise da história clínica e da circunstância da morte. A maioria dos eventos ocorrem quando a criança dorme no berço, daí o síndroma ser conhecido por morte no berço. Em Portugal os dados fornecidos pela Direcção Geral de Saúde são os seguintes:
1997-13 casos
1998-7 casos
1999-4 casos
2000-6 casos
Idade, Sexo e Raça
O síndrome da Morte Súbita no Lactante regista maior incidência entre o 1º mês de vida e o 4º mês, afectando de preferência o sexo masculino. No que se refere a etnias, verifica-se nos Estados Unidos, uma maior prevalência nos grupos Afro-Americanos, cerca de 2 a 3 vezes superior às crianças de raça branca.
Proposta da Sociedade Portuguesa de Pediatria
Embora não se saiba a causa, em todos os países em que foram modificadas algumas práticas nos cuidados das crianças, registou-se uma diminuição deste síndroma. O objectivo deste documento é promover a implementação dessas práticas nas crianças portuguesas.
Consensos para reduzir o risco do Síndroma de morte súbita
1. Coloque o bebé de costas para dormir
O risco aumenta se o bebé dormir de bruços. A investigação mostra que, quando são deitados de costas os bebés não bolsam nem aspiram mais o vómito do que se estiverem em qualquer outra posição.
2.Não fume durante a gravidez. Nem depois.
O risco aumenta se a mãe fumou durante a gravidez e se continua a fumar após o parto. Se o pai também fuma, o risco agrava-se mais.
3.Destape a cabeça do bebé para dormir.
A roupa da cama não deve cobrir a cabeça do bebé. Não use colchão mole
4. Não coloque o bebé na cama de adultos (para dormir)
Se fuma, está muito cansado, tomou algo que altera o sono ou ingeriu bebidas alcoólicas recentemente, não ponha o bebé na sua cama para dormir. Nunca adormeça no sofá com o seu bebé.
5.Não aqueça demasiado o bebé.
O risco pode aumentar com o aquecimento excessivo. Para prevenir isto deve usar o bom senso e adequar a temperatura do quarto, a roupa do bebé e a roupa da cama à estação do ano e ao lugar que habita. A temperatura ideal do quarto deverá estar entre 18-21ºC.
Vista-o com o mesmo tipo de roupa que está a usar, de forma a sentir-se confortável, não quente.
Colocando o dorso da sua mão na nuca ou na barriga do bebé poderá avaliar facilmente se ele está muito aquecido.
Se o bebé tem febre precisa de menos roupa e não de ser agasalhado.
6.O bebé acordado pode e deve estar noutras posições.
Quando está acordado pode ser colocado de barriga para baixo para brincar. Isto fortalece os músculos do pescoço e das costas.