Se perguntarmos a dois terços das jovens mamãs, como vai o seu períneo, elas respondem: “o meu períneo? Vai muito bem obrigada!” No entanto, muitas delas não sabem o que é o períneo nem onde ele se situa. Numerosas são as que não conhecem as suas múltiplas funções, nem a sua importância fundamental ao longo da vida. Praticamente nenhuma imagina o quanto ele ficou fraco com a gravidez e o parto. Em contrapartida, o “disfuncionamento do pavimento pélvico” (para utilizar os termos que se podem ouvir no médico) é uma grande preocupação do mundo médico actual. Pouco a pouco, as mulheres descobrem que os problemas de incontinência urinária (que dizem respeito a mais de metade das mulheres, pelo menos uma vez ao longo da sua vida) e a descida de órgãos (prolapso) são provocados em grande parte por uma fraqueza do períneo.
Vejamos como funciona o pavimento pélvico: os músculos do pavimento pélvico formam um oito (8) (fig. ao lado). O seu tamanho é comparável ao da palma da mão e é composto por uma dezena de músculos entrelaçados em todos os sentidos que se organizam em volta de diferentes orifícios. O círculo de cima envolve a abertura da vagina e da uretra e o círculo de baixo envolve a abertura do ânus.
O bom estado destes músculos pélvicos é fundamental para manter a integridade e o
bom funcionamento da vagina e da uretra e a posição dos órgãos dentro da pélvis. Os músculos
pélvicos controlam o fluxo de urina, a contracção (aperto) da vagina e o bom encerramento
do ânus. Tanto a uretra quanto o ânus têm um esfíncter (músculos especiais que funcionam
como fechaduras) que garantem a retenção da urina e fezes.
O pavimento pélvico é composto por várias camadas de músculos suspensos como uma “rede de
pesca” pendurada em dois pontos, na frente e atrás da pélvis. Além dessa rede, os músculos
também formam um triângulo.
Os partos em mulheres de mais de 38 anos. A actividade desportiva, sobretudo nos desportos cujos esforços abdominais se exercem fortemente sobre o períneo (corrida a pé, ténis, saltos...). O transporte de cargas pesadas em certos empregos ou em situações do dia a dia. O ter de caminhar o dia inteiro ou estar em pé muitas horas diárias. Por último e talvez o mais importante temos a gravidez e o parto.
Durante a gravidez o peso do útero multiplica-se por 20 ou 30. Ao alargar-se, ele comprime a
bexiga para baixo. A pressão aumenta fortemente sobre o períneo. As hormonas da gravidez têm um
efeito relaxante sobre os ligamentos e os músculos do corpo. Assim, os órgãos abdominais, que são
mais pesados, estão menos bem suspensos e por isso dependem muito mais da sustentação do períneo,
que por sua vez está mais relaxado. Por estas razões, as mães que tiveram os seus bebés por cesariana
devem também investir na reeducação perineal, pois o simples facto de ter estado grávida enfraquece
o períneo. O parto normal constitui mais uma etapa crítica. A passagem da criança pela fileira genital
distende, de maneira espantosa, as fibras musculares do períneo. Depois de um parto vaginal, o períneo
perde pelo menos 50% da sua força muscular. Normalmente, os sintomas só aparecem progressivamente.
A seguir a um 1º filho, a jovem mãe não se apercebe logo da falta de tonicidade desses músculos que
ela conhece mal. É com o passar do tempo, com a chegada de outras gravidezes e, com certeza, o
envelhecimento muscular natural, que os verdadeiros sintomas vão aparecer.
Durante estes últimos anos pensou-se que a episiotomia era a melhor arma contra as distensões do períneo
e uma das suas principais consequências: a incontinência. Ultimamente, com o passar do tempo,
apercebemo-nos que essa intervenção não tem feito baixar o número de casos de incontinência e já se
está a por em causa a eficácia deste procedimento que se tornou numa prática rotineira nos nossos
hospitais.
Um dos aspectos mais importantes da recuperação pós parto é a “reconciliação” com o seu próprio corpo, especialmente com a zona genital. Depois do parto, o retorno da vagina às suas dimensões normais e consequentemente a qualidade das relações sexuais, está ligada à tonicidade do períneo. Este é um dos benefícios, subtis e pouco abordados pelos médicos, da reeducação perineal, que é essencial depois do nascimento do seu 1º bebé.
Quando esses músculos enfraquecem, a mulher pode ter os seguintes sintomas:
Durante a gravidez, momento que mais se exige de um períneo, há que tomar consciência deste, de maneira a poder contraí-lo ou descontraí-lo. Após o nascimento, passa-se à reeducação propriamente dita. O trabalho abdominal não deverá ser demasiado precoce nem muito intenso antes da recuperação do períneo. Concretamente, é necessário restabelecer o equilíbrio do períneo, graças a técnicas de respiração abdominal que não se apoiam nesses músculos. Depois, passa-se a reforçá-lo por meio de uma série de contracções e relaxamentos. O trabalho de reeducação pode iniciar-se pouco tempo depois do parto, evitando que lesões pouco visíveis se instalem. A body ball é um excelente acessório para a percepção e reabilitação destes músculos. Mesmo aos cinquenta anos ou mais, quando surgem problemas, as técnicas de reeducação são praticamente as mesmas. Nunca é tarde para proceder a reeducação do períneo. Os resultados não serão tão bons como quando se é mais jovem, mas é sempre compensador. Mesmo nos casos em que é necessário recorrer à cirurgia, a reeducação efectuada antes e depois da intervenção contribuem para aumentar a sua eficácia.
Cuide de si...cuide do seu períneo
